Crise no Japão ameaça produção de carros e chips
Os danos provocados pelo terremoto no Japão interromperam a produção de automóveis, chips de computador e vários outros bens, e poderão obrigar ao fechamento prolongado de fábricas, criando um ponto de estrangulamento na economia global.
Na segunda-feira, as bolsas japonesas caíram 6,2%, quando os investidores começaram a calcular as dimensões da catástrofe. Ontem, a queda foi de 10,6%. Foi inútil a maciça injeção de ienes pelo Banco do Japão, na tentativa de dar sustentação ao sistema financeiro do país.
Nos Estados Unidos e na União Europeia, os mercados caíram ligeiramente. “O quadro completo da devastação causada pelo terremoto e pelo tsunami que engoliu o nordeste do Japão na sexta-feira só começou a ficar mais claro no fim de semana, mas o impacto econômico continua extremamente indefinido”, disse em um relatório John Higgins, analista da Capital Economics.
A parte do Japão que sofreu o impacto mais direto do terremoto representa uma fatia relativamente pequena da produção industrial da terceira maior economia mundial. Entretanto, os danos à infraestrutura – estradas, ferrovias, eletricidade – foram maiores.
A catástrofe comprometeu a capacidade das indústrias japonesas de obter suprimentos e energia para continuar produzindo e para que seus empregados cheguem ao trabalho. É muito cedo ainda para saber até que ponto a cadeia da oferta mundial dos principais bens será afetada.
Muitas fábricas de automóveis em todo o Japão fecharam as portas, pelo menos temporariamente, escreveu o analista do setor Paul Newton, da IHS Global Insight, segundo o qual a situação é “fluida”. A Toyota fechou todas as suas fábricas no país até hoje, interrompendo 45% de sua produção global. Nissan, Honda, Suzuki, Mazda e Mitsubishi informaram prejuízos e fechamentos temporários de suas fábricas japonesas.
Entre as maiores corporações estão algumas das principais marcas globais que transferiram a produção ao exterior. A Honda, por exemplo, já calculou que suas operações no mercado crucial da América do Norte não serão profundamente afetadas.
Também poderão ser interrompidos o fornecimento e o embarque de eletrônicos, particularmente de materiais usados na fabricação de painéis de cristal líquido, segundo o analista Dale Ford da IHS iSuppli, que pesquisa as cadeias de fornecimentos.
Analistas de todo o mundo acompanharão atentamente como essa nova onda de incertezas econômicas será recebida pelos mercados, avaliando a possibilidade de recuperação da economia americana com o aumento dos preços do petróleo e de outros riscos em potencial.
O Japão tem capacidade de crédito para reagir à tragédia, disse Mohamed El-Erian, CEO de investimentos da Pimco. Provavelmente os recursos virão também dos investimentos no exterior, fenômeno que pode ter influenciado a valorização do iene na sexta-feira, após o desastre.
O país perdeu cerca de 6.800 megawatts de geração de energia depois do dano às usinas nucleares, talvez 7% ou mais de seu fornecimento total, afirmaram analistas da Barclays Capital.
Pelo menos a curto prazo, “as consequências da tragédia do Japão se estenderão a outros países sob a forma da redução da demanda global e da interrupção da cadeia de suprimentos”, afirmou El-Erian.
Fonte : Site SINDIEX